setembro 08, 2017

A Bandeira Da Fada Em Dunvegan!

Bom dia pra vocês.
O clã MacLeod, do Castelo de Dunvegan, na Escócia conserva como o seu mais importante legado uma peça de tecido amarelo com uma bela história.
Há muitos e muitos anos atrás, na Ilha de Skye, Iain Ciair, o quarto chefe do clã Macleod, era um homem formoso e inteligente, e todas as raparigas eram atraídas por ele, mas ele não se interessava por nenhuma, pois não eram do seu gosto.




No entanto, um certo dia ele encontrou uma mulher fada, que encantou seu coração. Tal como todas as outras mulheres que ele encontrava, ela apaixonou-se perdidamente por ele, e ele por ela também.




Quando a princesa pediu ao Rei das Fadas autorização para casar com o formoso chefe, ele recusou, dizendo que só iria partir-lhe o coração, dado que os humanos envelhecem cedo e morrem, e o Povo Resplandecente vive para sempre. Ela chorou e derramou lágrimas tão amargamente que até o grande Rei reconsiderou, e concordou que ela e o chefe pudessem atar as mãos durante um ano e um dia. Porém, no fim desse tempo, ela devia voltar para a terra das Fadas e deixar para trás tudo o que era do mundo humano. Ela aceitou e, em breve, ela e o jovem MacLeod casaram-se com grande cerimônia.





Não existiu tempo mais feliz, nem antes nem depois, para o clã MacLeod, pois o chefe e a dama MacLeod estavam completamente apaixonados um pelo outro. Como era de esperar, em breve um robusto e atraente filho nasceu no seio do feliz casal e o regozijo e a celebração pelo clã duraram dias.



Contudo, os dias passaram depressa e um ano e um dia foram-se embora como uma batida do coração. O Rei conduziu o Cortejo das Fadas das nuvens para baixo até ao fim da grande calçada do Castelo de Dunvegan, e lá esperaram, com o seu encanto e refinamento, que a dama MacLeod cumprisse a sua promessa.





A dama MacLeod sabia que não tinha outra saída, por isso ela agarrou no seu filho, abraçou-o muito e, por fim, saiu a correr da torre do castelo para se juntar ao Cortejo das Fadas, e regressou com eles à terra das Fadas. Antes de sair, contudo, ela fez o seu marido prometer que o filho deles nunca seria deixado sozinho, e nunca o deixariam chorar, porque ela não podia suportar o som do choro do seu bebê.





Uma tradição diz que a fada se despediu do seu marido na Ponte das Fadas, perto do Castelo de Dunvegan.




O chefe estava com o coração partido pela perda da sua esposa mas ele sabia, tal como ela, que haveria de chegar um dia em que ela regressaria ao Reino das Fadas. Contudo, com o passar do tempo, o jovem MacLeod ficou deprimido, e lamentava a perda da sua dama.




As pessoas do clã decidiram que alguma coisa tinha que ser feita e, no seu aniversário foi realizada uma grande festa, com danças até de madrugada. O jovem tinha sido sempre um grande dançarino e, por fim, ele concordou em dançar ao som das gaitas de foles. Tão boa estava a celebração que a jovem criada encarregada de vigiar o bebê deixou o quarto da criança e trepou ao cimo das escadas para ver as pessoas a dançarem com todo o seu requinte e para ouvir a música maravilhosa. Tão enlevada estava ela que não ouviu a criança acordar e começar a chorar.




Tão digno de dó era o seu choro que, com a força do amor que só uma mãe pode possuir, reforçada por seus sentidos de fada, a rainha da fada de Dunvegan ouviu o grito de seu filho até na Terra das Fadas, e quando a mãe o ouviu ela apareceu imediatamente junto do seu berço, tomou-o nos braços, e reconfortou-o, secando as suas lágrimas e embrulhando-o no seu xale de fada. Ela murmurou palavras mágicas aos seus ouvidos, e o colocou de volta no berço, beijando-o mais uma vez na testa.



Entretanto, ao ouvir o choro do filho, o jovem pai correu da sala de banquete. Quando se aproximava do quarto do filho os seus ouvidos encheram-se com a melodia de uma canção de embalar encantadora. Ele espreitou dentro do quarto da criança e viu a esposa a beijar o bebê e a deitá-lo no berço.

Os seus olhos encontraram-se mas, antes que ele pudesse chamar a sua dama, ela desvaneceu-se na névoa.




Centenas de anos mais tarde, o feroz clã Donald do Lord das Ilhas tinha cercado os MacLeod numa batalha, e eles estavam perdendo. Antes que isso ocorresse de verdade, o chefe MacLeod abriu uma caixa e, colocando a Bandeira das Fadas num mastro, agitou-a uma, duas, e três vezes. Assim que a terceira volta foi realizada, a magia das Fadas fez os MacLeods parecerem dez vezes mais! Pensando que os MacLeods tinham sido reforçados, os Donalds viraram-se e fugiram, nunca mais ameaçando os MacLeods até aos dias de hoje.



Noutra ocasião uma praga terrível tinha matado quase todo o gado dos MacLeod, e o chefe enfrentava a perspetiva de um inverno de fome para o seu povo. Não tendo outra alternativa, ele foi para a torre mais alta do Castelo de Dunvegan, prendeu a Bandeira das Fadas a um mastro, e agitou-a uma, duas, três vezes. As Hostes das Fadas desceram das nuvens com as espadas desembainhadas, e correram como o vento sobre o gado morto e moribundo. Tocaram cada uma das vacas com as suas espadas e, onde antes havia vacas mortas e a morrer, havia agora gado grande, saudável e bem gordo, mais do que necessário para alimentar o clã no Inverno que estava por vir.

Ainda resta mais um acenar da Bandeira das Fadas, e a Bandeira está exposta no Castelo de Dunvegan, lá aguardando a terceira ameaça ao clã MacLeod.





Em 1938 irrompeu um fogo no Castelo de Dunvegan e, de acordo com Sir Iain Moncreiffe of that Ilk, as chamas foram extintas quando a Bandeira foi transportada à frente delas para ser posta em segurança.

Durante a Segunda Guerra Mundial a Dama Flora Macleod of Macleod, 28.º chefe do clã, recebeu uma carta de um membro do clã que atribuiu a sua sorte durante as missões de bombardeamento sobre a Alemanha a uma foto da Bandeira que ele trazia no seu bolso. Durante a Guerra a Dama Flora cortou pequenos pedaços da relíquia de forma a que os jovens MacLeods que serviam como pilotos da RAF pudessem transportá-los nas suas carteiras quando combateram na Batalha de Inglaterra. Supostamente nem um só Macleod foi abatido durante todo a Batalha. A Dama Flora até se ofereceu para acenar a Bandeira das Fadas nos Penhascos de Dover na eventualidade de os alemães tentarem invadir a Grã-Bretanha.












As verdadeiras origens da bandeira são realmente desconhecidas. Diz-se que Sir Reginald McLeod, o 27º chefe do clã, levou a bandeira para um especialista em museu para análise. O curador levantou a hipótese de que o pano foi trazido de volta à Escócia por cavaleiros na cruzada durante a Idade Média, afirmando que a seda parecia ser de origem oriental. Sir Reginald respondeu: "Você acredita que é uma relíquia das Cruzadas. Eu sei que foi dado ao meu antepassado pelas fadas. " Seja qual for o caso, o pano esteve na família McLeod há séculos e é observado por numerosas pessoas ao longo dos anos.

A bandeira foi dita ser uma espécie de farol para poder convocar as fadas em auxílio do McLeod durante momentos de grande necessidade. Pelo menos dois usos foram registrados quando os McLeods exigiram o auxílio de seus aliados e parentes de fadas durante a batalha.

A canção de embalar, ou encantamento, que a mãe fada cantou ao seu bebê ainda é cantada na Ilha de Skye e é conhecida como Cradle Spell of Dunvegan (Encantamento do Berço de Dunvegan).
E vocês podem ouvir uma versão moderna dessa linda música.

Um beijo pra todos, e um ótimo final de semana.

Beatriz Oberg.


 




1. Sleep, my little child, hero tenderling,

Dream, my little child, hero fawnlike one,

Speed thy yew arrows straight antlerwards.
High on mountain brows, be thy stagtryst,

Dream, my little child, Hero battle bred,
2. Sleep, my little child, Hero gentle bred,
3. Horo vee lavok, Horo aily,
Skin like falling snow, Green thy mailcoat,
Live thy steeds, Dauntless thy following.
Hang thy shield, Lochlann-like, heavenwards.
Horo vee lavok, Horo aily,
Dream thy hero dream, Through thy child sleep.




https://sites.google.com/site/clanrolloonlineculturaescocesa; 
http://www.carolynemerick.com/archivistscorner

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